Psicóloga do SOEP dá dicas para lidar com mordidas durante a infância

Embora a prática seja comum, pais e professores devem estar atentos se o comportamento persiste, pois pode refletir um problema emocional

No universo infantil, a mordida é algo muito comum, especialmente a partir dos 2 anos de idade. Em geral, a prática é vista como expressão de agressividade ou rebeldia, mas é preciso abrir a mente para entender o que a criança está sentindo ao morder. Por ter o  primeiro contato com o mundo através da amamentação, à medida que cresce a criança leva outras coisas à boca, como as mãos e os pés. Aos poucos, vai tentando descobrir outros objetos e até mesmo as pessoas, na tentativa de conhecer o contexto ao seu redor. O ato de morder não significa necessariamente raiva, pois ela ainda não sabe expressar o que quer e usa os meios que conhece para identificar o que vê.

Os especialistas explicam que, enquanto ainda não conseguem se expressar através da comunicação oral, as crianças utilizam outros meios para se expressar e para interagir com o ambiente e com as pessoas ao seu redor. Geralmente, as mordidas podem demonstrar a vontade de obter de forma rápida algum objeto ou de chamar atenção para si.

As mordidas aparecem como uma dessas formas de expressão. Esses comportamentos são utilizados em situações diversas e a criança vai avaliando quais efeitos causam no ambiente que a rodeia. Quando a criança morde, ela não busca, necessariamente e nem de forma consciente, machucar o coleguinha. O comportamento é uma forma instintiva diante de alguma frustração ou impossibilidade oferecida pelo entorno”, explica a psicóloga do Serviço de Orientação Educacional e Psicológica (SOEP) do Colégio GGE, Joana Albuquerque.

Por isso, os pais ou responsáveis devem estar sempre atentos ao comportamento dos filhos para entender como eles agem e ajudar os pequenos a se expressarem de outra forma, que não seja mordendo ou até mesmo beliscando.

É natural que os pais da criança que morde os colegas se sintam envergonhados, enquanto que os da criança que foi agredida ficam chateados com o machucado do filho. Mas é necessário levar em consideração que essa é uma situação que tem solução e, principalmente, que a prática não é feita propositalmente.  Cabe à escola esse intermédio e a tarefa de mediar as relações entre as crianças e seus familiares, com o intuito de amenizar os sentimentos negativos da situação”, pontua a psicóloga.

É importante entender que as mordidas vão desaparecendo, à medida que a criança for crescendo e entendendo que aquela não é a forma correta de se expressar. Mas, cada criança tem o seu tempo de desenvolvimento, então ela precisa ser acolhida pelos pais e educadores.

“Quando a criança morde,  é essencial a mediação de um adulto para fazer com que ela reflita sobre o que fez e para que entenda que há outras possibilidades de conseguir o que deseja. É importante que esta intervenção ocorra logo em seguida ao ato de morder, abordando o ‘comportamento quente’, ou seja, no momento em que o mesmo ocorreu para que a criança possa compreender a relação de causa e consequência sem que o lapso temporal impossibilite a reflexão, ampliando o repertório comportamental com ações mais assertivas”, defende Joana Albuquerque.

Apesar de, na maioria das vezes, fazer parte do desenvolvimento da criança, em alguns casos, o comportamento pode sinalizar um problema de ordem emocional. Se as mordidas passam a ser frequentes, a criança pode estar insatisfeita, ansiosa, com sentimento de rejeição ou tentando chamar a atenção através de comportamentos não funcionais.

Caso isso ocorra, se faz necessário acompanhar a criança de perto e com atenção para descobrir as possíveis causas e, a depender da situação, será importante buscar a ajuda de um psicólogo clínico para acompanhar e identificar o que está motivando tal comportamento específico para tratá-lo de maneira eficiente, sem prejuízos emocionais”, conclui a psicóloga.

Notícias Relacionadas

0 respostas

Deixe uma Resposta

Deseja deixar seu comentário?
Comente e participe! Sua opinião é muito importante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.