Pós-pandemia: como aprender a socializar de novo?

Projetos com focos socioemocionais auxiliam estudantes a retomarem

Com as poucas restrições ainda em vigor para combater o coronavírus, somadas ao avanço da vacinação e à queda dos números da covid-19, fica cada dia mais fácil enxergar a realidade pós-pandemia que foi tão esperada e projetada nos últimos dois anos. Para pais e professores, os desafios desse novo contexto são maiores, quando se pensa nos impactos que esse período está deixando na vida de milhares de crianças e adolescentes que sofreram com mudanças drásticas nas suas rotinas em casa e na escola. Entre as principais  dificuldades está a socialização, após longo tempo de interação apenas pelas telas dos equipamentos eletrônicos.

A psicóloga Etevania Oliveira, do Serviço de Orientação Educacional e Psicológica (SOEP) do Colégio GGE, com unidades em Caruaru, Recife e João Pessoa, explica como a necessidade de isolamento afetou de maneira especial a infância e a adolescência.

“Toda comunidade escolar descobriu o desafio de uma educação remota, além do sentimento de estranhamento por não poder confraternizar diariamente como antes ou até por não conhecer pessoalmente os colegas, os professores e a equipe. Apesar da finalização deste ciclo à distância, ainda vivenciamos o desafio de ressignificar a escola e as relações que são perpassadas pela instituição. Redescobrir a escola é parte fundamental para a socialização, retomando, cada vez mais, à normalidade da vida e dos laços sociais, mas isso requer esforço, atenção e carinho especiais”, avaliou.

Aluno recebe apoio do Serviço de Orientação Educacional e Psicológica (SOEP)

Para a especialista, o papel da escola é mostrar novamente que o espaço de aprendizagem também está preocupado com o processo de ressocialização que pode agora causar receio, fazendo o caminho inverso do que foi visto no início da pandemia.

O GGE pensou em ações que promovam acolhimento e o exercício da empatia, proporcionando um ambiente escolar seguro e saudável que possibilite integração social, trazendo o lúdico como grande ferramenta para retomar e fortalecer o vínculo de benquerença entre os alunos, ativar a memória afetiva das relações, recontar e se encantar com as experiências vividas”. Entre essas ações, destaque para a Trilha Socioemocional, que cria espaços de relacionamento e codesenvolvimento de competências comportamentais e emocionais para que cada indivíduo seja incentivado a reconhecer sentimentos e emoções, gerenciar conflitos, agir orientado pela empatia e ética, comunicar-se e relacionar-se com grupos diversos, cocriar soluções, além de colaborar e tomar decisões construtivas e responsáveis.

Dentro desse universo da Trilha Socioemocional, o Projeto de Vida ganha destaque como ferramenta que tem auxiliado na socialização dos alunos. A iniciativa prevê medidas para estreitar o diálogo entre a escola e o jovem com base em três dimensões: Eu comigo; Eu com o outro; e Eu com o mundo. “Eu comigo” são conteúdos  relacionados ao autoconhecimento, sobre como encontrar o lugar no mundo, identificar e gerenciar emoções. “Eu com o outro” são conhecimentos e competências referentes às habilidades relacionais, a exemplo de lidar em sociedade, conhecer novas culturas, tolerar o outro, saber se comunicar e exercitar uma série de requisitos para estar bem dentro da comunidade e ter relacionamentos saudáveis. Já “Eu com o mundo”, refere-se a lidar com um contexto macro ambiental, pensando na contribuição com o desenvolvimento de soluções para o mundo, em fazer boas escolhas, entender tendências da sociedade e se comportar diante dessas, como se antecipar a problemas e, principalmente, como fazer escolhas seguras.

A Educa 21 também é outro bom exemplo. O  programa é fundamentado na combinação entre estudos e práticas nacionais e internacionais sobre as competências socioemocionais e o letramento digital, preparando crianças e jovens para viverem melhor dentro e fora da internet, dimensões educacionais inseparáveis. O projeto incentiva comprometimento, dedicação, gentileza, ajuda ao próximo e a consciência de que cada pessoa tem uma história única para compartilhar e da importância de que essa troca de experiências seja feita tanto na sala de aula, como com a família e amigos. O programa Educa 21 é aplicado em parceria com seu educador e fundador, Rossandro Klinjey.

Rossandro Klinjey, fundador da Educa 21

A psicóloga do Colégio GGE, Etevania Oliveira, enfatiza que, especialmente nessa fase de formação do indivíduo, o suporte da escola é indispensável para que os jovens sejam adultos com relações saudáveis.

“Com o exponencial aumento do  uso das redes sociais, criamos novos códigos de comunicação, passamos a expressar nossas emoções por figurinhas e emojis, criando um novo discurso, abreviando as palavras e as manifestações de afeto. É preciso desprender-se das telas e se reconfortar novamente na sonoridade das vozes e nas palavras. Necessitamos repensar, recriar e reaprender a conviver e, quando esse processo é guiado por profissionais empáticos e qualificados para isso, as chances de termos sucesso nas relações é muito maior”, finalizou. 

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