Perigos da internet: cyberbullying se potencializa com a pandemia

De acordo com a ONU, no Brasil, um em cada três estudantes afirma já ter sido alvo pelo menos uma vez na vida

Se crianças e adolescentes dessa geração já nasceram familiarizados com o mundo virtual, a exposição às telas se tornou ainda maior com a pandemia. Do consumo de jogos, passando pelas aulas remotas e até o uso das redes sociais, o ambiente digital se fortaleceu como nova praça de interação social, suprindo o fato deles não poderem mais saírem para brincar na rua ou estarem na casa dos amigos com a mesma frequência. Além disso, mesmo após a flexibilização das medidas preventivas contra a Covid-19 e a possibilidade do ensino híbrido, alguns pais optam pela permanência de seus filhos exclusivamente nas aulas remotas. Todos esses fatores inspiram mais cuidados com o uso da internet.

É mais comum que os perigos da internet sejam associados a danos físicos, porém os emocionais também devem ser vistos como preocupantes para a saúde da garotada. O acesso ao conteúdo virtual está em múltiplas telas, com celulares, tablets e computadores à disposição, e a supervisão por parte dos pais e responsáveis precisa se tornar mais rigorosa. O cyberbullying, por exemplo, é um dos principais riscos. Disseminado a partir dos avanços tecnológicos e da massificação do mundo digital, esse tipo de violência virtual se potencializou e os episódios de agressividade têm se tornado mais comuns com a pandemia. Sem o devido monitoramento e acompanhamento das situações, o cyberbullying pode desencadear problemas psicológicos ou até evoluir para outros tipos de violência.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, um em cada três estudantes afirma já ter sido alvo do cyberbullying pelo menos uma vez na vida. E o mais chocante é que esses dados são bastante semelhantes aos de outros países. Esse tipo de violência pode atingir os jovens em vários níveis diferentes, desde não querer mais ir para escola, por medo da agressão, podendo até ser causa de depressão. Por essa razão, é essencial que exista a educação digital tanto por parte da família quanto da escola, essa última, com o direcionamento correto, pode tornar mais fácil a difícil tarefa dos pais em casa e juntos proporcionarem uma rede de apoio constante ao jovem também quando o assunto for os problemas no meio virtual.

A psicóloga Maeli Ramos de Souza, que ajuda a integrar o Serviço de Orientação Educacional e Psicológica (SOEP) do Colégio GGE, ressalta que o diálogo precisa ser constante e que os pais devem se manter vigilantes aos acessos.

“Há muitos riscos físicos e emocionais que as crianças e adolescentes podem ser expostos. No mundo virtual, não há restrições muitas vezes e crianças e adultos compartilham da mesma realidade, por isso é preciso pensar bem nos benefícios e malefícios antes de permitir o uso da criança nas redes sociais e utilizar os mecanismos oferecidos pelas próprias plataformas para moderar os conteúdos com os quais os mais novos podem ter interagir”.

A idade mínima para que crianças tenham acesso à internet é de 13 anos. Essa classificação é indicada pelas próprias redes sociais, mas, de acordo com Maeli, também é necessário considerar a maturidade para lidar com o universo digital e, para isso, os pais precisam fazer parte dessa relação, buscando métodos para que essa integração aconteça de forma saudável e segura.

“É necessário considerar impor regras e horários permitidos para o acesso, além de sempre supervisionar o que se é consumido. Também é necessário tomar cuidado com o uso exagerado das redes, que pode acarretar em prejuízos sociais, físicos, emocionais e pedagógicos para a criança. Optar por programas educativos e jogos que estimulem a interação, a criatividade e o cognitivo são uma boa alternativa. Mas as atividades físicas e de lazer, que promovam práticas saudáveis devem sempre ter a preferência, e para isso, a postura da família deve ser coerente com o discurso promovido”, explica.

O Colégio GGE também desenvolve projetos pedagógicos que ajudam a integrar recursos digitais no processo de ensino e aprendizagem, para que os alunos se engajem ao que é proposto. A exemplo disso, o programa GGE contra o Bullying, que este ano tratou de destacar o cyberbullying como uma das principais modalidades; e também trabalhos como na disciplina de Psicomotricidade da Educação Infantil, existe o projeto “Jogos e Brincadeiras da Cultura Popular: uma prática lúdico-recreativa“, que ajuda a orientar as crianças quanto ao uso de jogos eletrônicos em benefício da sua educação. Para os estudantes do Ensino Fundamental, o Colégio oferece o projeto “Júri Simulado”, que promove um debate sobre a importância dos jogos, tradicionais e eletrônicos, para o currículo escolar e, para o Ensino Médio, existe o projeto “Vamos Vivenciar os Jogos”, proposto para orientar os alunos em relação ao uso excessivo da tecnologia.

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