Interesse em livros escritos por mulheres cresce entre jovens

Ao longo dos últimos anos, o interesse pelo consumo de livros escritos por mulheres teve um aumento exponencial. Esse crescimento é evidenciado pela última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, desenvolvida pelo instituto Pró-Livro (IPL), que trouxe duas mulheres no ranking das sete leituras mais frequentes entre os entrevistados. No levantamento anterior, realizado em 2015, apenas autores homens foram citados.

Segundo a professora de Língua Portuguesa do Colégio GGE, Fernanda Nascimento, essa tendência tem sido percebida também em sala de aula. Ela relata que tem se tornado cada vez mais comum que as próprias alunas organizem grupos de leitura com o objetivo de trocar indicações de escritoras e compartilhar conhecimentos.

“Essa geração leitora que está surgindo é muito mais consciente, muito mais crítica. Então as meninas notam a necessidade de dar espaço para essas mulheres autoras, que antes eram meio esquecidas. Todo esse movimento tem muito a ver com a divulgação do conhecimento pela internet, com a compreensão de que a mulher é parte importante da sociedade e com a vontade de também participar ativamente dessa mudança”, avalia.

Apesar dessas articulações, a média de leituras no Brasil registrou uma queda nos últimos anos. De acordo com o relatório mais recente do IPL, o público brasileiro lê cerca de 4,95 livros por ano, sendo apenas 2,55 inteiros. Com o objetivo de mudar esse quadro e aumentar a frequência da prática entre os estudantes, o Colégio GGE tem desenvolvido, há alguns anos, o Projeto de Incentivo à Leitura.

A iniciativa inclui alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental 2 e visa fortalecer o desenvolvimento crítico desses jovens, promovendo diálogos sobre os temas abordados nos livros. Para Fernanda, uma das dicas essenciais para quem quer conseguir fortalecer esse hábito é estabelecer metas pequenas e realistas.

“Não dá para você começar já querendo ler um livro por semana porque você não vai conseguir cumprir essa meta. Então, se você compra um livro ou até mesmo se você começa a ler textos menores, como crônicas ou contos, se torna mais fácil estabelecer metas diárias possíveis. Começa com duas páginas por dia. No final de um mês, você já vai ter 60. Aos pouquinhos, você vai criando gosto pela leitura porque você começa a ver como um movimento essencial para a sua vida”, explica.

Uma das indicações da professora para quem tem interesse em ler mais mulheres é a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, autora de livros como “Pequeno Manual Antirracista” e “Lugar de Fala”. “Ela traz contribuições muito importantes para a sociedade, não somente relacionadas à mulher, mas também ao público afrodescendente como um todo”, aponta.

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