Enem 2021: 5 fortes palpites sobre tema da Redação

A professora de Redação do Colégio GGE, Fernanda Nascimento, aponta quais temáticas estão em evidência e explica como elas podem ser abordadas.

A redação é um dos pontos principais do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Isso porque, além de ser decisiva para o aumento ou a diminuição da nota geral do estudante, ela representa um fator eliminatório em processos importantes como o SiSU, Prouni e Fies.

Na preparação para o grande dia, um hábito já é tradicional: as apostas sobre qual tema será abordado. Todo ano, professores e alunos tentam adivinhar qual assunto protagonizará essa fase do Exame, com base nas questões que estão em mais evidência no momento e no histórico observado ao longo dos últimos anos.

A poucos dias para o Enem 2021, a expectativa não tem sido diferente e os palpites já começaram a ser feitos. Mas a professora de Redação do Colégio GGE, Fernanda Nascimento, alerta que, além de pensar nisso, é preciso focar também no estudo da estrutura da redação.

“O aluno que foca na estruturação das ideias, que pensa na elaboração do texto como uma sequência de informações que precisam ser coerentes e aprofundadas e devem estar relacionadas diretamente ao tema, é um aluno que vai ter um diferencial. O tema que vier, ele vai conseguir desenvolver”, aponta.

Para auxiliar na preparação nessa reta final, entretanto, Fernanda destaca cinco temas que podem ser abordados na prova e contextualiza de que forma os estudantes podem debater essas questões:

Democratização do acesso à água no Brasil

A universalização do acesso à água potável é uma das metas do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), que deveria ser cumprida até 2033. Atualmente, entretanto, ainda existem mais de 30 milhões de brasileiros que não são atendidos com abastecimento de água tratada, o que representa um alerta para a questão.

“A relevância desse tema é notória porque a gente sabe que, no Brasil, existe uma distribuição irregular da água. Algumas partes do país têm acesso à água e outras não. E não é que falte água, o problema é que há uma péssima distribuição. Isso faz com que parte da população não tenha acesso a condições mínimas de higiene e saneamento”, aponta Fernanda.

Segundo a professora, uma das abordagens possíveis para essa temática é analisar de que forma essa situação se agravou durante a pandemia da Covid-19, com as recomendações sobre higienização constante. Dessa forma, o estudante pode demonstrar conhecimento das atualidades e contextualizar o tema com mais precisão.

Aulão de Revisão Tira-teima ENEM

Formas alternativas de energia no Brasil

Outro assunto em evidência no momento é o consumo de eletricidade e o aumento nos gastos com energia. Isso porque, durante a pandemia, a conta de luz chegou a ficar mais de 20% mais cara. Além disso, o Governo Federal criou a bandeira de escassez hídrica, que deve vigorar até abril de 2022 e representa um aumento de 49,63% em relação à bandeira vermelha patamar 2.

“A gente está passando por um problema grave de crise hídrica. Consequentemente, isso tem um impacto na energia porque boa parte da eletricidade que usamos vem das hidrelétricas e não temos investido tanto quanto os outros países em formas alternativas de energia. Especialmente, energias limpas e renováveis”, explica Fernanda Nascimento.

Pensando na relevância desse tema e no impacto que ele tem tido em debates atuais, a sugestão da professora é que os estudantes possam pesquisar essas outras formas de energia e relacionar essa questão a pontos como o impacto dessas adaptações no valor da conta de luz e a influência que essa crise representa para a desigualdade social.

A importância da preservação do patrimônio cultural brasileiro

Diante dos acontecimentos recentes envolvendo patrimônios culturais e históricos do país, também é possível que a questão da preservação seja abordada na redação.

“Esse tema pode ser trazido porque a gente teve duas grandes perdas recentemente: a do Museu Nacional e a da Cinemateca. Quando a gente fala da importância é relativo à nossa história, às nossas lembranças, às nossas memórias, à cultura de um povo que foi perdida. Aquilo pode até ser recriado, mas não da forma original”, relata a professora.

Para trazer ainda mais contextualização ao dissertar sobre o tema, outro exemplo trazido por Fernanda é o caso que aconteceu no Parque de Esculturas, no Recife, quando peças produzidas pelo artista Francisco Brennand foram saqueadas e transformadas em sucata. “A gente perde um pouco da nossa história cada vez que nosso patrimônio é deteriorado de alguma forma”, reforça.

A relevância do ensino da educação financeira no Brasil

Neste ano, o endividamento de consumidores brasileiros atingiu um nível recorde. De acordo com o índice da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de endividados chegou a 72%, o equivalente a mais de 62 milhões de pessoas. Por isso, utilizar a redação para debater a importância da educação financeira também é uma possibilidade.

“Esse superendividamento tem a ver não somente com a crise, mas com a forma que o povo brasileiro lida com as suas finanças. Não é cultura do povo brasileiro, por exemplo, poupar, ter um recurso de emergência, como seria o ideal para ser usado durante essa pandemia. Muitas pessoas não sabem gerenciar sobre o próprio dinheiro e entram nesse endividamento”, aponta Fernanda.

Para contextualizar a importância desse estudo, os estudantes podem citar também exemplos que têm sido adotados no país, como as parcerias público-privadas que treinam educadores da rede pública de ensino para disseminar esse conhecimento, no mesmo modelo que tem sido adotado em outros países, como o Chile.

Alternativas para a superação do déficit habitacional do Brasil

Quase 6 milhões de moradias no Brasil são contabilizadas no índice mais recente de déficit habitacional. O número é referente a 2019 e inclui casas improvisadas e precárias e com valor de aluguel elevado. Além disso, um estudo recente mostra que mais de 220 mil brasileiros vivem em situação de rua, o que reforça ainda mais o nível de desigualdade vivenciado no país e demonstra a importância de que a temática seja debatida.

“É um tema que já vem sendo discutido há muito tempo porque o maior sonho do brasileiro é a compra da casa própria. A gente valoriza muito isso porque dá a sensação de estabilidade. Por outro lado, não é tão simples assim você adquirir esse bem por uma parte da população. O financiamento facilita adquirir um imóvel, mas muitos não tem condições financeiras favoráveis e acabam morando de aluguel ou recorrendo à moradia na casa de parentes. Infelizmente, também tem muitas pessoas em situação de rua ocupando abrigos”, relata Fernanda.

De acordo com a professora, uma das possibilidades para a construção da redação é pensar em soluções práticas para o problema. “A gente tem uma série de obras inacabadas de condomínios que deveriam prover essa população, deveriam direcionar habitações para essa população menos favorecida”, sugere.

Fonte: Acessa Caruaru

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