Dicas para estimular o hábito da leitura em crianças e adolescentes

Uma educação de qualidade tem no hábito da leitura um forte aliado. É lendo que se descobrem novos mundos, novos personagens, que se estimula a criatividade e que o cérebro é alimentado de informações diversas. Acontece que, em tempos de novas tecnologias, de novas fontes de informação e de conhecimento, muitas vezes, a leitura está sendo deixada de lado. Por isso, é cada vez mais necessário que essa seja uma prática estimulada pelos pais e pela escola. Um trabalho em conjunto, que pode ser desenvolvido em várias frentes e que também pode ser uma excelente maneira de entreter os filhos nesse período de isolamento social causado pela COVID-19.

Ler para as crianças e ter hábitos próprios de leitura são alternativas que precisam acontecer dentro do ambiente familiar. Contar histórias, criar brincadeiras relacionadas às histórias lidas, estimular a escrita de resumos sobre as leituras ou gravação de vídeos sobre a história que foi lida são algumas maneiras de como a família pode trabalhar com os pequenos em casa. O objetivo é fazer com que a leitura deixe de ser uma atividade meramente individual para abrir a possibilidade de ser uma atividade também coletiva, com envolvimento da família”, afirma Anabelle Veloso, gestora pedagógica da Educação Infantil e Ensino Fundamental 1 do Colégio GGE.

Como dicas para os pais que não sabem como estimular os filhos da Educação Infantil, a gestora orienta a contação de histórias, brincar com os personagens das histórias infantis e a compra frequente de livros. Já para as crianças maiores, é importante priorizar o gosto de leitura da criança, permitindo ela participe da escolha de livros e historinhas em quadrinhos para ler, orienta Anabelle.

Independente da faixa etária, a principal forma de estímulo é o exemplo, por isso é muito importante que os pais criem esse ambiente, também para eles, dentro de casa. Além disso, o interesse pelas leituras das crianças e a oferta de novos tipos de leitura também é uma estratégia interessante para incentivo. Trazer a leitura como oportunidade de confraternização familiar, vínculo e afeto, coloca qualquer tecnologia de lado. Ler com os filhos, depois do jantar, por exemplo, quando todos estão em casa, faz com que eles se sintam amados, vistos e tenham a atenção que tanto requerem.

Promovendo esse ambiente de discussão, as crianças passam a associar a leitura a esses sentimentos e então ela se torna, naturalmente, mais atrativa ou tão atrativa quanto os recursos tecnológicos que, muitas vezes, favorecem o movimento oposto a esse”, enfatiza a gestora pedagógica da unidade GGE de Boa Viagem, Nayana Paiva. Segundo ela, para crianças menores, trazer a leitura como oportunidade de encorajamento também é uma excelente estratégia. “Oportunizar que eles leiam o cardápio e escolham o que vão comer ou que leiam sinopses e escolham os filmes, esse movimento associado ao elogio faz com que eles se sintam importantes e atuantes nesse núcleo por meio da leitura”, detalha.

O estímulo à leitura também passa pelo processo de escolha. Assim que o isolamento social terminar, é importante promover idas às livrarias e bibliotecas para que as crianças e adolescentes escolham seus livros. Também é de suma importância introduzir eventos culturais que promovam a leitura (feiras de livros, saraus literários, contação de história, etc.) na programação familiar. Agora, é sempre importante que os pais acompanhem o que os filhos estão lendo. Pois além da preocupação com a faixa etária, é necessário o cuidado com os temas tratados que precisam ser coerentes com o que a criança entende e vivencia no núcleo familiar.

O estímulo à leitura também acontece dentro do ambiente escolar. Durante todo o ano letivo são realizadas cirandas literárias (onde os alunos podem promover a troca de livros entre si), contação de histórias (momento de descontração onde os alunos passam a fazer parte da história) e vivências de livros (com discussão acerca do livro indicado). Todas as ações são planejadas de acordo com a faixa etária e com os temas abordados em sala de aula. Para isso, a capacitação e constante atualização dos professores são essenciais.

Para o ambiente escolar, investimos, cada vez mais, em títulos que sejam atrativos a cada faixa etária, bem como em espaços disruptivos de leitura que promovam o acolhimento, a tranquilidade e a socialização atrelados à leitura. Para isso, o hábito da leitura precisa ser vital a todo educador para que eles possam promover e incentivar por meio do seu próprio exemplo. Quando os professores comentam sobre livros que leram, leem para os alunos, promovem eventos de leitura, é notadamente fundamental à evolução dos alunos nesses aspectos”, comenta Nayana Paiva.

De acordo com o gestor pedagógico do Ensino Fundamental 2 e Médio do GGE, Tayguara Velozo, um outro alerta diz respeito ao uso de tecnologias. Isso porque muitos acreditam que a tecnologia é uma vilã. Mas, existem os dois lados. “O excesso faz mal a tudo. Porém, a tecnologia pode ser sim uma aliada, inclusive, na leitura. Antigamente, para ter acesso a um livro, precisávamos ir a uma livraria comprar o livro ou alugá-lo em uma biblioteca. Hoje, eu posso encontrar sem sair de casa. Eu consigo ler livros digitais através de um aplicativo ou de um dispositivo criado para esse fim, como o Kindle, por exemplo. Então o incentivo à leitura pode acontecer também por meio das plataformas digitais. O importante é criar o hábito da leitura”, enfatiza.

E esse hábito precisa estar no núcleo familiar. Do mesmo jeito que a família faz planos, dá para ter atividades que envolvam a leitura. Discutir qual a temática que interessa, deixar o livro exposto, fazer rodas de livros… As estratégias são muitas, mas nada fará sentido se não houver o hábito.

Notícias relacionadas:

0 respostas

Deixe uma Resposta

Deseja deixar seu comentário?
Comente e participe! Sua opinião é muito importante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.