Desfralde na educação infantil: qual o papel dos pais e dos professores?

A parte lúdica é fundamental para os pequenos assimilarem as mudanças de maneira leve e sem pressão. O tempo de desfralde pode levar semanas ou meses, é preciso ter paciência.

Cada fase da vida do bebê representa a sua evolução rumo à autonomia e ao pleno desenvolvimento como indivíduo. Família e escola se dividem no acompanhamento e no estímulo para que essas fases aconteçam da maneira mais adequada e cumprem papéis fundamentais e que devem estar bem definidos para não confundir a criança nesse percurso. Uma dessas etapas importantes e desafiadoras é o desfralde, que além de exercer função primordial no alcance da maturidade e do preparo físico e emocional dos pequenos, tem relevância na educação sexual e precisa da adoção de práticas específicas de incentivo e orientação por parte de pais e educadores.

Existe idade certa para desfraldar?

O primeiro ponto a se considerar sobre esse assunto é que não existe uma idade determinada para o desfralde. A criança pode estar preparada para abandonar as fraldas desde um ano de idade até três anos (ou mais). Porém, alguns especialistas recomendam que, a partir do segundo ano, existe um preparo maior para viver o desfralde, já que nesse período a criança começa a entender que produz cocô e xixi. É geralmente nesse momento que as escolas também começam a dar início em seu acompanhamento para a retirada das fraldas.

O Colégio GGE criou um projeto específico para fase do desfralde que é desenvolvido com crianças a partir dos dois anos de idade, nas turmas do Infantil 2. “Nesta idade, observamos que as crianças já demonstram autonomia e iniciam o controle de suas necessidades fisiológicas. As coordenações pedagógicas, junto ao Serviço de Orientação Educacional e Psicológica (SOEP) e professoras, convidam as famílias a participarem para iniciarmos as estratégias, que devem acontecer em paralelo. Utilizamos ações lúdicas como: contação de histórias, uso de mascote com fraldas e visitas ao banheiro para inseri-los no processo de desfralde”, explica a coordenadora da Educação Infantil do Colégio GGE em Caruaru, Lucimar Lima.

Embora seja um processo bastante individual e que envolve autodescobertas e autocontrole, alguns sinais podem indicar que a hora certa para o desfralde chegou. É preciso observar se o bebê ou a criança anda sem dificuldade, se consegue verbalizar ou sinalizar o que está acontecendo, se anuncia quando quer fazer xixi ou cocô, se passa mais tempo com a fralda seca, se já consegue subir e descer degraus/escada, se apresenta controle dos músculos responsáveis por segurar ou liberar a saída de urina e fezes e se começou a se esconder pela casa ou se abaixar quando sente a necessidade de fazer cocô, mostrando ter consciência de suas eliminações.

Como deve acontecer o desfralde na escola?

É indicado que o desfralde comece em período diurno e, de preferência, em uma época mais quente do ano, já que os escapes de xixi deixam a criança mais molhada e desconfortável no inverno. Cabe à escola, além do suporte educacional e emocional sobre o tema, oferecer estrutura física para que os pequenos se adaptem com as idas ao banheiro. É nessa fase que eles têm acesso a privadas menores, direcionadas para cada idade. Penicos e redutores de assento podem ser usados também tanto em casa quanto na escola.

Desfralde Infantil Lavando as Mãos

As professoras devem incentivar as visitas ao banheiro várias vezes ao dia e a criança que já consegue ir ao banheiro pode acompanhar outra que ainda está na fase inicial de desfralde, para que esta perceba que o processo é natural e tenha um referencial já que ainda apresenta dificuldades. O hábito de lavar as mãos deve ser construído nessa fase como parte do entendimento de utilizar o banheiro e não mais as fraldas.

E em casa?

Seja em casa ou na escola, é necessário reforçar constantemente que a criança pode avisar quando tiver vontade de ir ao banheiro e que não tem nenhum problema em chamar os pais ou os professores várias vezes. Comemorar quando ela avisa também ajuda a encorajá-la a pedir. O movimento inverso: criticar quando ela avisa ou quando existem escapes não deve ser feito em nenhuma hipótese, pois os comentários podem reprimir a criança.

“Entendemos que o desfralde é uma etapa que cada criança tem o seu tempo. E, enquanto escola, devemos possibilitar momentos de estímulos para desenvolvimento e maturação das crianças. Paralelamente, orientamos as famílias na condução do desfralde para que tenhamos o mesmo discurso com a criança”, ressalta a coordenadora Lucimar Lima sobre a necessidade de família e escola estarem em constante diálogo para não confundir a criança com posturas diferentes. Os pais também precisam estar atentos a qualquer mudança na rotina que possa interferir no processo, comunicando sempre a escola se existiu algo na dinâmica familiar que possa gerar retrocessos.

Quando o processo durante o dia estiver estabilizado, com a ajuda da escola, é hora de partir para o desfralde noturno, que pode demorar mais. Começar diminuindo a ingestão de líquido à noite e levar ao banheiro antes de dormir são práticas que a escola orienta para auxiliar os pais em casa. Além disso, observar os horários em que a criança costuma urinar pode ser importante para que os pais acordem antes e levem ao penico ou vaso sanitário, criando uma rotina, assim como acontece pela manhã, até que ela seja capaz de passar a noite sem precisar fazer xixi ou cocô ou que consiga ir uma ou duas vezes ao banheiro. Lençóis impermeáveis são aliados nessa etapa.

Os pais precisam estar atentos também à evolução do desfralde noturno. Crianças com mais de cinco anos que fazem xixi na cama diariamente ou várias vezes por noite podem requerer avaliação médica para um acompanhamento mais específico.

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Desfralde Infantil menina e professora

É no desfralde que começa a educação sexual

O desfralde é o momento ideal para começar a ensinar a criança que ela é dona do seu próprio corpo e que outras pessoas não podem tocá-lo sem a sua permissão. É preciso ensinar como se chama cada parte do corpo e explicar que quando está tirando as suas fraldas e ensinando-a a usar o banheiro está ajudando-a com a sua higiene pessoal, além de citar explicitamente quais são as pessoas que podem fazer o mesmo.

Além disso, é preciso criar um ambiente de confiança para que a criança saiba a importância do dizer “não”, sabendo que deve comunicar aos pais caso alguém apresente comportamentos errados, e de que suas palavras e sentimentos sejam sempre validados. Práticas como essa são fundamentais para dar início à educação sexual dos pequenos e para que eles saibam quando estão em situações de perigo.

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