De acordo com alguns especialistas, a sensibilidade é uma qualidade com a qual se nasce e quem a possui é capaz de relatar todos os acontecimentos da sua vida cotidiana com seus sentidos e suas emoções. Pode-se entender a sensibilidade como a habilidade de experimentar impressões físicas, isso é uma função que corresponde aos nervos. Relaciona-se diretamente com o processo químico da percepção e com a faculdade de sentir as coisas com vivacidade, desse ponto de vista, a sensibilidade está conectada aos processos afetivos.
Crianças têm sentimentos.

Parece algo óbvio, mas não é. Muitos pais e/ou cuidadores agem com as crianças como se elas não ouvissem, não entendessem e não absorvessem o que os adultos falam e a forma como se comportam com elas e/ou com outras pessoas. No entanto, criança absorve muito mais do que você imagina! Principalmente porque tudo o que ela presencia acaba tendo uma influência sobre o desenvolvimento de quem ela é como pessoa e como será como adulta, uma vez que a personalidade dela ainda não está formada até pelo menos os 6, 7 anos. Por isso, a maneira como, principalmente, os pais lidam com esta criança influenciarão diretamente em quem ela será.

Aqui estão nove atitudes que os pais podem ter com seus filhos a fim de torná-los jovens e adultos mais saudáveis emocionalmente:
1. Não os comparem com outras crianças: ao compará-los com comportamentos de outros meninos ou meninas (“Você deveria ser igual ao Pedrinho, que é inteligente!”, “Olha só a Mariazinha, como é simpática! Seja igual a ela!”), eles entenderão que sua própria maneira de ser não é aceita e precisarão ser quem os pais desejam que eles sejam, não quem são de verdade. O resultado provavelmente será o sentimento e a crença de que nunca será bom o suficiente.
2. Ouça seus filhos: muitas vezes quando a criança ainda é pequena e deseja contar em detalhes o que fez durante o dia ou como foi à escolinha ou o aniversário do amiguinho, os pais “fingem” estar ouvindo a fim de “não perderem tempo” e continuarem a fazer suas atividades rotineiras. No entanto, a criança percebe quando ela é, de fato, ouvida e quando não é. Se ela percebe o desinteresse dos pais pelo que ela está dizendo, poderá entender que seus pensamentos e sentimentos não são tão importantes assim para seus pais. Em alguns momentos, pare o que estiver fazendo, sente-se ao lado do seu filhinho(a), olhe nos olhos dele e sinceramente ouça e participe da conversa dele(a).
3. Elogie seus filhos: não há nenhuma pessoa mais especial para eles do que você, pai ou mãe. O seu elogio não será igual ao elogio da professora ou de um amiguinho. Eles precisam ouvir de quem consideram serem as pessoas mais especiais para eles de que eles têm valor e de que são capazes. Por mais que o seu menino(a) tenha feito algo que para você não tenha nada demais, elogie o que ele(a) conseguiu fazer: “Que legal que você conseguiu dobrar sua roupa!”, “Achei muito legal você emprestar seu brinquedo para o amigo!”, “Que desenho bonito você fez!”. Assim, você estará contribuindo para a construção de uma pessoa segura de suas capacidades.
4. Valorize os sentimentos deles: pode ser que seu filhinho de 5 anos chore porque um coleguinha disse que não gostava dele e você ache isto sem importância e responda com frases como: “Ah, deixe isso para lá!”, “Por que você está chorando? Não precisa chorar por isto!”, “Ah, eu não acredito que você ficou triste só por causa disto! Não seja bobo!”. Ao ouvir constantemente frases como estas, seu filho aprenderá que há alguma coisa de errado em sentir sentimentos naturais de serem sentidos, que eles devem ser “engolidos” e que ele precisa “fingir que está tudo bem”, quando não está. Isto NÃO é inteligência emocional. Dê crédito ao que seu filho sempre com frases como: “Puxa, que chato que isso aconteceu! Venha aqui, deixa eu te dar um abraço!”. Isto não significa vitimizá-lo (“Coitadinho de você! Como ele pode fazer isto com você? Ah, eu vou lá falar com ele e ele vai ver só!”), mas oferecer empatia para o sofrimento e ensiná-lo que está tudo bem sentir tristeza, raiva, frustração, etc.
5. Não faça com que seus filhos sejam “bonzinhos” o tempo todo: muitos pais querem mostrar socialmente aos outros que seu filho(a) é bom (boa) e acabam ensinando-os a sempre cederem em tudo e a nunca dizerem “não”, pois uma pessoa que não consegue se defender e colocar limites para outras acaba sofrendo abusos ao longo da vida (emocionais, profissionais, físicos, de poder, etc). Portanto, quando seu filho estiver, por exemplo, com um brinquedo que ele gosta muito e outra criança vier e tentar tirá-lo da mão do seu filho, antes de automaticamente dizer “filho, dê o brinquedo para o amiguinho”, “Você tem que sempre emprestar as suas coisas!”, procure avaliar se não é o momento deste amiguinho procurar outro brinquedo e aprender a lidar também com a própria frustração. Seu filho poderá aprender a lutar pelos próprios direitos, isto será de grande ajuda para ele no futuro.
6. Observe e preencha a necessidade de afeto dos seus filhos: dois filhos podem ser criados em uma mesma família, pelos mesmos pais, mas terem necessidades diferenciadas de afeto. Enquanto um pode ficar extremamente triste com uma bronca do pai, outro pode não se abalar tanto assim. Portanto, observe a individualidade de seus filhos e procure assisti-los naquilo que eles mais necessitam – elogios, atenção, tempo juntos, abraços e beijos, incentivos, etc.
7. Não exponha as dificuldades do seu filho em público: alguns pais podem se sentir envergonhados por seus filhos terem alguma dificuldade emocional (seja timidez, impulsividade, ansiedade expressa no roer das unhas, etc.) e utilizam a crítica à criança em público como forma de mostrarem aos outros que estão cientes de como o filho se comporta. Então, surgem frases como: “Tira essa mão da boca, menino! Onde já se viu uma criança dessa idade roendo unhas! Que coisa feia!”; ou “Ué? Precisa se esconder atrás de mim para falar ‘oi’ com as pessoas, filha? Que coisa mais boba!”; ou “Você não consegue mesmo ficar parado, né? Nunca vi alguém tão acelerado!”. Dificuldades emocionais já são difíceis para as próprias crianças, ainda mais quando são criticadas pelos pais por não conseguirem, AINDA, funcionar de outro jeito. Portanto, em vez de criticá-los, ajude-os nas dificuldades que possuem e não os envergonhe na frente de outras pessoas.
8. De forma muito clara, demonstre o amor que você sente ao seu filho (a): seja abraçando-o forte, dando um beijo e dizendo que o (a) ama, dizendo que sentiu saudades, que ele(a) é especial e muito amado(a), que gosta da companhia dele(a). Gaste tempo com a sua criança, dê atenção verdadeira a ela, faça com que ela se sinta realmente valorosa para você, em casa e fora de casa. Sentir o seu amor fará dela uma pessoa segura.
9. Expresse aos seus filhos a confiança que possui neles: se você pediu a seu filho para arrumar a cama dele, em vez de utilizar frases como: “Você nunca consegue dobrar seu lençol direito. Seu irmão sempre consegue! Não sei como não consegue fazer isso direito!”, incentive-o de que você acredita que ele será capaz de fazer a tarefa: “Eu sei que você vai conseguir! Você é esforçado, é inteligente! Mamãe vai ficar contente com a sua ajuda!” (por mais que o lençol não fique 100% esticado). Ao ouvir que você confia nele(a), a probabilidade de ele querer corresponder à sua confiança será maior e, por fim, se aperfeiçoará em suas tarefas, em seus objetivos e em seus desafios. Se, por outro lado, sempre vem uma crítica ou uma desconfiança de que ele(a) será capaz de fazer algo correto ou bom, muito provavelmente ele acreditará que, de fato, ele(a) é incapaz.
Aproveite os primeiros anos de vida dos seus filhos para ajudá-los a se desenvolverem saudáveis não só fisicamente, mas também emocionalmente. Favorecer muito bem um clima de confiança, que possa haver uma boa comunicação. É importante que os pais trabalhem com as crianças a importância da comunicação, que aprendam a expressar suas emoções. Também se deve trabalhar a empatia: saber como se sente, mas também como a outra pessoa está se sentindo. Quando trabalhamos a empatia, quando nós somos empáticos, isso vai nos ajudar muito nas nossas relações sociais e a entender como o outro se sente. E no momento em que entendermos isso, vai nos facilitar para sabermos qual é a conduta que devemos ter, pois isso devemos educá-los desde bem pequeninos.

Texto adaptado pelo SOEP

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