Longe de ser exclusividade dos adultos, o aumento da ansiedade em jovens é cada vez mais visível, especialmente em adolescentes e quem acabou de terminar o ensino médio.

A ansiedade é uma emoção normal do ser humano, comum ao se enfrentar algum problema no trabalho, antes de uma prova ou diante de decisões difíceis do dia a dia. No entanto, a ansiedade excessiva pode se tornar uma doença, ou melhor, um distúrbio de ansiedade. É muito presente na adolescência. A pressão da escola, da vida social e das atividades extracurriculares pode estressar muitos adolescentes; a ansiedade decorrente também pode ser sintoma de um transtorno mental. Uma boa construção da identidade do adolescente passa pela atenção e qualidade da relação que os mais significativos (pais, irmãos, amigos, professores) estabelecem com este.

A adolescência é uma fase da vida em que se desenvolve um conjunto de mudanças evolutivas na maturação física e biológica, ajustamento psicológico e social do indivíduo. São grandes as adaptações que os jovens têm que fazer durante o seu desenvolvimento. E tudo isso tem um grande potencial para causar ansiedade. Nesta fase começa a ser crítico perante si mesmo e os outros, e a mínima contrariedade se irrita ou se afasta acabando por se isolar. Ao agir, torna-se agressivo nas palavras descarregando toda a ansiedade acumulada. É frequente andar mais irritável, discutir com os outros, fugirem às responsabilidades e ter maus resultados escolares, entre outros comportamentos desajustados. O adolescente é confrontado com ameaças que não consegue controlar e com que não sabe lidar, como o seu corpo, a sexualidade, a relação com os pais onde os conflitos obediência/independência são constantes, medos perante os novos desafios e as suas competências pessoais, sociais, escolares, e na relação com os pares.

Por que a ansiedade está chegando precocemente?
Apesar de ter causas genéticas, a condição surge por meio de situações desencadeantes, sinalizada por especialistas, como:

• Ambiente familiar
A convivência com parentes próximos é a principal base para construção da estrutura emocional de uma pessoa. A forma com que os pais lidam com a criança pode dizer muito sobre o nível de ansiedade dela, explica a psicóloga Edyclaudia Gomes de Sousa. Por exemplo, pais negligentes ou superprotetores podem fazer com que a criança sinta insegurança, o que resulta no aumento da ansiedade normal ou transtorno de ansiedade, como o generalizado ou síndrome do pânico.

• Chegada da fase adulta
O transtorno de ansiedade é comum em jovens que atingem a idade adulta, o que ocorre a partir dos 18 anos, quando surgem grandes responsabilidades. Nessa fase, ainda há a imposição de realizar mudanças na própria vida devido às exigências exteriores, como ter um emprego, conquistar bens materiais e formar uma família.

• Redes sociais e tecnologia
A introdução da tecnologia provocou grandes mudanças no comportamento dos jovens. A inovação fica ultrapassada muito rápido e leva as pessoas a trabalharem mais para consumirem mais, desestabilizando todo o ambiente familiar. Com isso, os pais ficam mais ausentes e os filhos se sentem pressionados a seguirem a “moda”, gerando frustração quando não possuem os aparelhos mais atuais. Além disso, as redes sociais promovem a sensação de inferioridade por só mostrarem majoritariamente momentos e experiências positivos, levando o usuário a comparar sua vida com as de outras pessoas.

Sintomas de Ansiedade
A ansiedade e seus transtornos podem causar sintomas tanto mentais quanto físicos, que atrapalham o dia a dia de diversas formas. São os principais:

Sintomas psicológicos da ansiedade
• Constante tensão ou nervosismo.
• Sensação de que algo ruim vai acontecer.
• Problemas de concentração.
• Medo constante.
• Descontrole sobre os pensamentos, principalmente dificuldade em esquecer o objeto de tensão.
• Preocupação exagerada em comparação com a realidade.
• Problemas para dormir.
• Irritabilidade.
• Agitação dos braços e pernas.

Sintomas físicos da ansiedade
• Dor ou aperto no peito e aumento das batidas do coração.
• Respiração ofegante ou falta de ar.
• Aumento do suor.
• Tremores nas mãos ou outras partes do corpo.
• Sensação de fraqueza ou cansaço.
• Boca seca.
• Mãos e pés frios ou suados.
• Náusea.
• Tensão muscular.
• Dor de barriga ou diarreia.

Sintomas de ansiedade em crianças e adolescentes
Além dos clássicos sintomas de transtorno de ansiedade generalizada, acima citados – como medo constante, dificuldade de concentração, palpitação e falta de ar – a preocupação exagerada pode ser notada em crianças e adolescentes por meio de sinais característicos, como:
• Preocupação exagerada com uma possível separação dos pais.
• Medo de ficar sozinho.
• Isolamento social e diálogo apenas com pais e parentes.
• Falta de amigos.
• Falta de interesse ou ânimo de ir à escola ou à universidade.
• Sofrimento excessivo antes ou após uma prova.

DICAS AOS PAIS
1. Se o seu filho apresenta alguns dos comportamentos e sintomas citados e se estes interferem com o funcionamento diário do adolescente e da família é importante e necessário levá-lo ao Psicólogo para obter um diagnóstico e elaborar estratégias de tratamento.
2. O tratamento da ansiedade não envolve apenas o adolescente, mas também a família e por vezes os amigos.
3. É imprescindível que os pais transmitam segurança ao adolescente.
4. É importante que os pais entendam que estes sintomas ansiosos são involuntários mesmo quando parece que o adolescente faz de propósito.
5. Devem evitar-se críticas aos medos e receios apresentados pelo adolescente sendo esta também a forma de lhe dar segurança.
6. Evitar castigos pelos seus comportamentos desajustados e como quase sempre existe repercussões na escola é necessário fazer um trabalho de ligação com esta.
7. Perante o mau rendimento escolar e o mal estar na escola pode arranjar-se um explicador para apoiar e motivar no sucesso escolar.

• Consequências
De acordo com a psicopedagoga Ana Regina Caminha Braga, especialista em educação especial e gestão escolar, a falta de tratamento adequado para ansiedade precoce pode gerar uma série de prejuízos ao longo da vida. “A criança ou adolescente pode levar essa ansiedade para o mercado de trabalho e para o ambiente familiar, prejudicando sua carreira e relacionamentos”, explica. Ainda segundo a especialista, a ansiedade também pode ser uma das causas da depressão, visto que a criança ou adolescente pode não saber se expressar corretamente e não encontrar abertura para expressar o que lhe aflige.

• Tratamento
As recomendações para o tratamento da ansiedade que os adolescentes sofrem são levemente diferentes daqueles geralmente prescritos para adultos.
A psicoterapia é o tratamento indicado a estas situações, pois ensina mecanismos de enfrentamento para os adolescentes lidarem com as causas da ansiedade, ajuda a dissolver padrões de crenças e pensamentos negativos prejudiciais que levam à ansiedade..
Importante ter um plano de tratamento que inclua a psicoterapia, a educação familiar e a intervenção psicossocial familiar. Poderá recorrer a psicofármacos em casos mais extremos para controle de determinados sintomas.
Assim, o ideal é estar atento aos sintomas e oferecer ajuda buscando um psiquiatra ou psicólogo a fim de que ocorra uma avaliação necessária para fechar o diagnóstico.

Texto adaptado pelo SOEP

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