A magia e o desafio do processo de alfabetização e letramento

A fase da alfabetização e letramento é um período de muitos desafios, descobertas e aprendizados. Tratam-se de etapas complementares: a alfabetização é um processo de desenvolvimento do ler e escrever, enquanto o letramento é a função social dessa leitura e dessa escrita. Ou seja, alfabetização e letramento caminham sempre juntos para que as crianças possam entender como o conteúdo pode ser utilizado.

Por isso, esta é uma fase onde também há muitas inseguranças e o desenvolvimento de atividades em casa em consonância com o que se aprende na escola é de extrema importância. Vale destacar que o processo de alfabetização se inicia desde o ingresso dos alunos na vida escolar. 

No Infantil 1, por exemplo, o hábito de ouvir histórias, de manusear livros, de fazer leitura visual de imagens, de estar exposto a este universo letrado são estratégias de alfabetização.

São projetos que preparam o terreno para que o aluno possa ter todos os pilares bem segmentados para desenvolver metodologias de alfabetização próprias.

Cada criança tem uma forma de assimilar os conteúdos. Então, desde muito cedo é importante fazer com que ela entenda que este é um novo universo, que existe comunicação através da leitura. Quando a professora monta uma roda para contar uma história, por exemplo, eles fazem a associação de que aquele livro serve de subsídio para aquele momento. Quando a professora faz menção ao que está escrito, eles começam a entender que isso é um código, que é uma forma de comunicação. Isso vai organizando esse insight para que eles mais na frente entendam como articular este novo código que vão conhecer”,

explica a gestora da Educação Infantil e Ensino Fundamental 1 do GGE Boa Viagem, Nayana Paiva.

Mais na frente, no Infantil 3, os alunos começam a ter acesso a formalização da leitura. A prática está sempre atrelada ao contexto, à situação de vida, a comunicativa real.

Eles começam a reconhecer a primeira letra do nome e depois e a escrever o próprio nome. Assim, os pequenos começam também a identificar o nome nos objetos e a entender que tudo faz parte da comunicação social. A partir deste sentido, eles passam a identificar os códigos de fato”, pontua Nayana.

De acordo com a gestora pedagógica do Colégio GGE, Anabelle Veloso, em seguida vem o processo prático da alfabetização, mas, é de extrema importância identificar e sanar as dificuldades. Fazer com que a criança se sinta inserida no processo de aprendizagem e que os pais tenham a segurança e as ferramentas de acompanhamento necessárias para apoiar essa aprendizagem são pilares da alfabetização no Colégio GGE. “A criança não tem que aprender conteúdos. Ela tem que adquirir competências e habilidades por meio da vivência em projetos”, afirma Anabelle Veloso.

Esses projetos contemplam a leitura de textos, com músicas, experiências e vivências. No trabalho com textos, por exemplo, as professoras elencam palavras chamadas de significativas. São palavras que são representativas no texto e que fazem parte do significado dos projetos vivenciados. “Essas palavras passam a ser o objeto da experiência e aprendizagem do processo de alfabetização das crianças. O aluno começa a explorar aquela palavra, começa a reconhecer as partes menores da palavra, a reconhecer os sons e, a partir disso, outras palavras são produzidas e ouvidas”, explica.

Em todo o processo de alfabetização e letramento, é realizado o acompanhamento da aprendizagem tendo os objetivos estabelecidos, mas sabemos que dificuldades existirão e precisarão ser identificadas a tempo. “Os professores são orientados no sentido de saber o que precisam oferecer às crianças, fazendo o acompanhamento e prestando todo suporte necessário para que objetivos sejam alcançados. O problema é quando as dificuldades não são trabalhadas, são empurradas pra frente e as crianças vão aumentando de idade e sem solidificar o processo de alfabetização”, pontua.

Por isso, o acompanhamento dos pais é importante.

Quando os pais sabem o que está sendo feito, eles têm a dimensão de até onde podem ir com os filhos. Isso dá muito mais segurança aos pais e aos alunos. A família consegue aferir como os alunos estão evoluindo e onde não está a dificuldade para correr atrás”, alerta Anabelle.

Pensando em ajudar os pais no acompanhamento e estímulo ao processo de alfabetização de seus filhos, nossa coordenação pedagógica da Educação Infantil preparou um vídeo com dicas de atividades educativas que podem ser trabalhadas em casa com os pequenos.

Aperte o play e confira! 

Além disso, selecionamos e respondemos as principais dúvidas dos pais sobre a alfabetização e letramento das crianças.

Boa leitura!

- Existe uma idade e um ano corretos para aprender a ler?

Não existe uma idade correta. Atualmente, fala-se da necessidade de concluir o processo de alfabetização até os seis ou sete anos de idade. Mas, algumas crianças começam a ler muito cedo. Isso tem haver com estímulo, com interesse, com o convívio em um ambiente letrado que gera o interesse. É importante destacar que a formalização do processo de letramento é formada pela escola, mas a celeridade desse processo está relacionada com o estímulo da família. Se a família não incentiva, não cria um ambiente letrado para criança, não mostra a importância da leitura e da escrita para o desenvolvimento, a criança não terá o interesse. A criança tem que estar inserida neste mundo letrado e precisa entender a importância e os ganhos quando alcança a leitura e a escrita. Hoje, as crianças tem acesso às letras muito cedo, seja nos desenhos animados, nos jogos, nos eletrônicos… Então, há uma sensibilidade mais aflorada e a partir do momento que ela tem acesso a isso, podendo despertar o interesse de que as coisas podem ser lidas e aí é um gancho para que a leitura seja tratada de maneira mais formal.

- Quais são as bases primordiais para a alfabetização?

Existem duas bases: a leitura e a escrita. São dois processos distintos, mas complementares. Assim como um desenho ou uma partitura, a leitura é um código. Então, uma das bases desse processo é que a criança entenda e decifre este código, chamado de sistema fônico. A leitura prevê um reconhecimento sonoro que, às vezes, a criança demora um pouco mais pra chegar a este processo. Já a escrita prevê um trabalho motor, que é desenvolvido desde muito cedo e é uma base importante. Então, normalmente, as crianças carregam uma curiosidade maior sobre a escrita porque já vive neste ambiente letrado e têm acesso a suportes escritos, gerando a curiosidade. Outra base é ela entender que tudo isso precede uma situação comunicativa. Ela passa a entender que palavras soltas não fazem muito sentido, mas, quando estão associadas a outras há uma comunicação. Com isso, elas passam a dominar a vivência.

- O que a criança precisa sair da alfabetização dominando?

O que se espera é que ela saia dominando a leitura e escrita. Uma leitura fluente é aquela em que o aluno tem a compreensão e a interpretação do que está lendo. No caso da escrita, a criança precisa dominar a tecnologia não só do traçado, mas também da legibilidade da escrita. Esse processo se inicia a partir da sonorização. Ela ouve e escreve. Em seguida, ela passa a entender que existem algumas convenções e algumas regras. Percebe, por exemplo, que nem todo som é percebido e escrito daquela maneira, então, a criança vai precisar entender e internalizar alguns conhecimentos ortográficos. Quanto mais ela ler e escrever, mais essa ortografia será lapidada. O domínio do código e da situação comunicativa é o começo de tudo.

- É comum começar o letramento pela letra bastão. Por quê?

A criança quando ingressa neste universo está sendo estimulada por diversas frentes, então existem muitas competências que ela precisa adquirir. Por ser algo complexo, existem níveis que a criança precisa avançar. A letra bastão é algo de mais fácil domínio motor. É importante introduzir por ela porque ela é mais fácil. Está associada ao início da decodificação. A letra bastão possui um traçado mais reto e passa mais segurança para a criança na escrita. Além disso, ela é separada, então, é possível explorar melhor a divisão das palavras em partes menores. A criança quando está neste processo, precisa entender que as frases são repartidas em palavras, que as palavras são repartidas em sílabas e que as sílabas são repartidas em letras. Quando a escrita é bastão, visualmente, a criança identifica esta divisão com mais facilidade e isso auxilia na compreensão do processo de escrita.

- Quando começar a apresentação da letra cursiva e porque isto é importante?

Para passar para a cursiva é importante que a criança tenha um bom domínio da letra bastão. A cursiva é uma letra que nós convencionalmente utilizamos. É uma escrita mais elaborada e que exige mais da criança para o traçado. Isso é importante para o desenvolvimento psicomotor, cultural e pedagógico das crianças. Por isso, é importante que a criança já saiba escrever, reconhecer e que tenha destreza também. Quando ela vai avançando neste código, quando já faz isso com mais facilidade, ele já tem condições de canalizar energia para letra cursiva, que tem movimento mais especifico e que exige maturidade motora muito importante. Não existe um momento considerado exato para esta mudança. No GGE, apresentamos a letra cursiva no Infantil 4. No Infantil 5, os alunos começam a escrever o próprio nome na cursiva e, no primeiro ano, ele se apropria desta letra.

- Quais são os principais cuidados na fase de alfabetização da criança?

Quando vamos aprender outra língua, é muito importante estar imerso neste universo. Da mesma forma, para as famílias que estão neste processo de alfabetização, é importante submetê-las a este universo. É preciso estimular porque a leitura é um insight e está relacionada também ao processo de autoestima. É muito importante o retorno e o incentivo. Cada criança tem seu tempo de aprendizagem, que está relacionado ao estímulo, às experiências anteriores, às características individuais de cada criança. Mas, esse estímulo precisa ser na medida certa. O excesso de estímulo também preocupa. Se são repetitivos e cansativos podem gerar desmotivação. É importante entender que a escrita de uma simples palavra para uma criança requer muito esforço. É diferente do que para o adulto, que já a domina. Então, atividades em quantidade demasiada podem gerar desmotivação. Estímulos devem ser feitos a partir do lúdico, de forma que ela se sinta motivada a interagir, a participar e a aprender cada vez mais. A escola é responsável por apresentar formalmente esse processo. Em casa, ele precisa vivenciar de forma mais natural.

- Quais são as dicas para estimular as crianças em casa?

Existe uma máxima que diz que o processo de educação vai muito pelo exemplo. Então, a leitura e a escrita é um universo que precisa fazer parte da casa, mas, não ser escolarizado em casa. Então, não deve haver cobranças em excesso, mas a prática deve estar inserida no ambiente familiar. Um exemplo é a criação do momento da leitura, onde cada membro da família poderá escolher uma forma de ler. Os pais que não tem esse hábito precisam se policiar e se estimular com relação a isso porque a criança precisa ver neles o hábito da leitura. No momento que criança entende que está desenvolvendo a mesma tarefa que os pais, ela entende que está fazendo algo muito importante. As crianças que estão iniciando este processo, já colocam a leitura como um meio de inclusão social, de memória afetiva também. No caso da escrita, o incentivo pode vir de diversas formas. Existem vários jogos, por exemplo, que trabalham a formação de palavras, os fonemas e o reconhecimento das letras. Outra dica importante é a produção de bilhetes para a família ou de listas de compras. Coisas corriqueiras, mas que farão a diferença.

Notícias Relacionadas

0 respostas

Deixe uma Resposta

Deseja deixar seu comentário?
Comente e participe! Sua opinião é muito importante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.