A importância do brincar para alunos da Educação Infantil

O brincar não tem função apenas recreativa, é também um momento de aprendizado.

As crianças amam brincar. Na verdade, elas passam o dia brincando. Brincar é imaginar combinações. É descobrir novos mundos, experimentar, interagir. Nesse sentido, o brincar, em suas mais diversas formas, espaços e com diferentes pares, se torna uma prática responsável por ampliar e diversificar o universo infantil, criando novas possibilidades. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) inclui a brincadeira como um dos direitos de aprendizagem ao lado dos direitos de conviver, participar, explorar, comunicar e conhecer-se.

Durante a Educação Infantil, o estímulo ao lúdico é uma estratégia, já que as participações e as transformações introduzidas pela criança na brincadeira devem ser valorizadas, tendo em vista o estímulo ao desenvolvimento de seu conhecimento, imaginação, criatividade, experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.

O brincar é o grande caminho que o educador tem para chegar à aprendizagem. A Educação Infantil como um todo é permeada pela ludicidade. Todas as atividades pedagógicas, todos os conteúdos trabalhados, eles partem de uma brincadeira para gerar este aprendizado. A partir do momento que as crianças vão crescendo, essas brincadeiras se tornam mais pedagógicas, mas, não podem ser esquecidas”, explica a gestora pedagógica do Colégio GGE, Anabelle Veloso.

As brincadeiras trabalhadas em âmbito escolar têm diversas perspectivas, indo desde oportunizar a projeção da visão social das crianças (casinha, escola, situações cotidianas), a socialização (roda, jogos coletivos), comunicação (cantiga, jogos com palavras e reprodução de discurso), memória (repetição, sequência), consciência corporal, coordenação motora e seguimento de normas. “Na escola, o essencial nessas brincadeiras é a intenção pedagógica, isto é, o que será trabalhado, o que deve ser requerido dos alunos, quais os questionamentos necessários para que haja êxito na elaboração do conhecimento por parte das crianças”, explica a gestora  da Educação Infantil e Ensino Fundamental 1 do GGE Boa Viagem, Nayana de Paiva.

Assim, tanto no ambiente escolar quanto em casa, as atividades precisam ser pensadas de acordo com a necessidade de cada faixa etária.

A criança de 1 ou 2 anos, por exemplo, precisa do incentivo à oralidade.

Nesta fase, é muito importante que as famílias tenham essa preocupação de mostrar à criança que a fala é uma comunicação e a comunicação se dá apenas quando o outro compreende. Então, estimular esse entendimento é muito importante”, orienta Anabelle.

Além disso, até os 3 anos também é muito importante a aprendizagem do compartilhar. Isso porque é nesta etapa que a criança tem a expectativa de ser o centro das atenções, mas precisa perceber e se reconhecer como um indivíduo no mundo. Ou seja, ela precisa se reconhecer e reconhecer o outro e, para isso, a melhor forma é o compartilhar.

A partir dos 4 anos é a fase da alfabetização. Então, é muito importante estimular a leitura como um todo, ou seja, a icônica, decodificada, de logomarcas… É um incentivo ao letramento. Mostrar para a criança a importância que a leitura tem no sentido de comunicação”, detalha Anabelle.

A questão sensorial também é bastante importante e grande impulsionadora do desenvolvimento psicomotor. Isso inclui o contato com diversas texturas, estimulando uma melhor desenvoltura na motricidade. “Até os três anos, os pais devem ter a preocupação de fazer com que a criança toque em uma superfície áspera, em locais mais fofos, mais pegajosos… tudo para que ela sinta as diferenças”, diz Anabelle.

Em toda a Educação Infantil, as músicas e cantigas populares são fortes aliadas já que trabalham o ritmo, o vocabulário, a oralidade e fazem com que a criança esteja falando, ouvindo e respondendo aos comandos. Um bom exemplo é a “boca de forno”, brincadeira onde a criança aprender a seguir comandos e trabalha vocabulário, já que ela terá que ir atrás de uma coisa que ela talvez não saiba o significado. Outra opção são as brincadeiras de roda, que trabalham cantigas, incentivando a expressão corporal. “Se tiver brincando com mais de uma criança é uma forma de também trabalhar o espaço do outro, já que o aluno vai precisar esperar chegar a sua vez de participar”, reforça a gestora do GGE.

A alimentação também é uma etapa importante da infância e que pode ser estimulada de forma lúdica. É bom lembrar que o momento da alimentação na Educação Infantil perpassa pelos estímulos visuais, motores, sensoriais e emocionais. “Na escola alinhavamos o relacionamento da criança com a comida, o ritual e o processo, a fim de que se tornem pessoas conscientes e dominantes desse hábito como algo positivo e agregador não só ao corpo, mas também às relações”, afirma a gestora do GGE Boa Viagem, Nayana Paiva, ressaltando que se a rotina da criança for permeada por alimentos saudáveis e de informações que ressaltem o quanto o alimento é importante para o desenvolvimento infantil, essa é uma mensagem que vai ficar e elas terão a possibilidade de adquirir hábitos mais saudáveis.

De acordo com Nayana de Paiva, para que haja um melhor aproveitamento de todo esse processo de brincadeiras e descobertas, é importante que os pais se interessem pela rotina das crianças, acompanhando de perto o que foi realizado durante o dia e incentivando que os pequenos queiram demonstrar o conhecimento que adquiriram.

O essencial para que a criança se sinta segura na escola e sempre motivada a aprender é que esse sentimento seja reforçado em casa. O núcleo familiar é a primeira e principal referência das crianças da Educação Infantil. A atenção dos pais à rotina escolar dos alunos ensina que a escola, a aprendizagem, a comunicação e a socialização são importantes, portanto, essa prática ganha mais sentido”, ressalta.

Por outro lado, a gestora alerta para o fato de que os pais não podem escolarizar os momentos em família. Isso quer dizer que é preciso ter cuidado para que os estímulos não sejam em excesso. O essencial na infância é que a criança viva o melhor de cada universo e entenda que cada espaço tem sua rotina, suas regras e seu funcionamento. “Em casa é importante que ela viva o ‘momento filho’, com brincadeiras, tempo ocioso e regalias do ambiente familiar. Isso também é aprendizado”, enfatiza.

Evitar os extremos é um cuidado que os pais devem ter nesse processo de aprendizagem. Apesar de importante, os estímulos não podem ser dados o tempo inteiro, assim como não pode haver uma cobrança excessiva sobre o entendimento. “O desenvolvimento é relativo, individual e personalizado a cada criança. Isso é um respeito ao desenvolvimento infantil. Os parâmetros do desenvolvimento podem ser utilizados como referenciais e, quando houver preocupação, é essencial que se busque um especialista”, conclui Anabelle Veloso.

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