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Afeto e Limites: qual a medida ideal numa educação positiva?

ladoO tema fez parte do 3° Encontro da Família com Especialistas, organizado pelo Serviço de Orientação Educacional e Psicológica – SOEP, apresentado pela psicóloga Benéria Donato que falou sobre os fatores de proteção para o desenvolvimento humano, a importância da medida certa do afeto e dos limites desde cedo, assim como das habilidades essenciais para a vida rumo a uma educação saudável e resiliente!

Nesse processo de incluir também no dia a dia a educação de habilidades não-cognitivas (as sociais e as emocionais), tanto crianças como adultos aprendem a colocar em prática as melhores atitudes e ideias para controlar/autorregular suas emoções, traçar e alcançar objetivos, demonstrar empatia, manter relações positivas e tomar decisões de maneira responsável e confiante. Os pais precisam entender e saber desenvolver as competências de que seus filhos necessitam para enfrentar os desafios do século 21 com resiliência.

Uma das saídas promissoras para reconectar positivamente o indivíduo ao mundo onde vive passa pelo desenvolvimento de competências socioemocionais. Longe de ser um modismo, a preocupação com o desenvolvimento dessas habilidades sempre foi objetivo da educação e precisa agora ser entendido como um processo de formação integral, que não se restringe à transmissão de conteúdos. Para que consiga alcançar esse propósito, a inclusão de competências socioemocionais na educação precisa ser intencional.

Educação socioemocional compreende uma mudança de cultura, de compreensão de vida, do que se acredita que é o ser humano, o conhecimento, a aprendizagem e de qual é o papel da escola e da família como um todo na educação das crianças e jovens.

Resiliência significa “propriedade que alguns corpos têm de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação”. Tomando emprestado o termo da física, a psicologia valoriza esta qualidade humana de lidar com os problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas.

Estimular a resiliência está ligado a acolher e dar uma estrutura familiar saudável às crianças, ao mesmo tempo em que se ensina a enfrentar adversidades e respeitar regras. No começo da vida, o bebê é inseguro. Quando sente fome ou frio, demora pra entender que terá alguém para suprir suas necessidades. Lá pelo quarto ou quinto mês, começa a entender que consegue o que quer, mas algumas vezes precisa esperar um pouco. Nesse ponto a criança já começa a desenvolver a resiliência.

Para começar uma educação de modo saudável e positivo, é preciso servir de exemplo. Os pais devem demonstrar integridade, confiança e autoestima, mostrando assim que possuem as habilidades que desejam desenvolver e ensinar aos seus filhos. É de responsabilidade dos pais também validar seus filhos como pessoas, ou seja, demonstrar apoio ao que eles sentem e não diminuir seus medos e incertezas só por serem preocupações infantis.

Quando ele demonstra medo do escuro, por exemplo – pais podem simplesmente dizer que bicho papão não existe ou compreender o sentimento e até contar que também sente medo de algumas coisas, mas que está ali para apoiá-lo. Assim, o filho não terá vergonha de expressar emoções e se sentirá seguro para viver conscientemente os medos e enfrentá-los.

Uma das situações mais eficazes para estimular a resiliência nas crianças são os jogos em família. Deixar que elas ganhem sempre não ajudará, pois estará criando a falsa impressão de que na vida nunca se perde. Quem convive com frustrações também cresce!

Vale explicar ao filho que não pode ter tudo o que quer. Um bom exemplo é levá-lo apenas como companhia pra comprar algo para você. Deixe-o perceber que o vendedor mostrou dez peças e você só levou uma. Depois, explique a importância de se fazer escolhas e que você gostaria de levar mais, mas não pode por “isso” e “aquilo”. Não se cria resiliência por decreto. É um trabalho que vai sendo alinhavado como um tecido e com o tempo.

Nunca é tarde para aprender e perceber o que pode e precisa mudar na educação de uma criança e ou de um jovem, ou mesmo de toda família, em especial quando regado a muito amor, demonstração de carinho, respeito a maturidade da criança e tendo sensibilidade para a linguagem de amor de cada membro da família. Por falar nisso: você é capaz de falar a linguagem de amor do seu filho?

Linguagem de amor é a forma como os seres humanos expressam o que sentem e como gostam de receber o amor dos familiares e de todos que convivem a sua volta. Cada ser humano tem um jeito próprio de amar e que ser amado. E com as crianças e jovens é assim também. Por isso é importante que os pais saibam identificar como seu filho expressa e percebe o amor.

Existem cinco formas de demonstrar e receber amor:

  1. Contato físico,
  2. Qualidade de tempo,
  3. Presentes,
  4. Atos de serviços e;
  5. Palavras de afirmação.

Mesmo quem tem mais de um filho poderá perceber que cada um expressa suas emoções de formas diferentes, então, uma qualidade indispensável em um pais é serem bons em identificar e falar, sempre que possível, a principal linguagem de amor do seu filho. Após ter certeza da principal forma de amor do seu filho, sugere-se praticar com bastante frequência a mesma, pois assim será garantido que a educação seja oferecida dando condições de construir em cada filho a crença (certeza) de que é amado por seus pais e ou quem convide e cuida dele. Um excelente alicerce e fator de proteção para o desenvolvimento emocional saudável é educar gerando nos filhos a crença de ser amado. A crença de ser amado fará as crianças tornarem-se  adultos generosos, responsáveis e emocionalmente estáveis.

Para ajudar nesse processo de conhecer e falar a linguagem de amor dos filhos, os pais podem fazer o seguinte:

  • Observar como o filho expressa amor, carinho e o que sente pelos pais e os demais;
  • Perceber o que o filho pede e ou reclama com mais frequência;
  • Oportunizar que o filho escolha e ou demonstre sua preferência, exemplos: vamos aproveitar para fazer uma torta ou vamos ao parque brincar? Quer uma bicicleta ou viajar comigo?

É importante dizer aos pais e educadores que se faz necessário evitar e cuidar para que a educação que recebeu na sua própria infância não interfira de modo inadequado na relação e educação atual com seus filhos. Para tanto pais precisam se perguntar: Como era o contato físico com seus pais? Oferecem doses suficientes de contato físicos a seus filhos e de maneira apropriada? Se algumas palavras que escutaram na infância influenciam a sua vida adulta e a educação do seu filho? Quais palavras dizem a seus filhos e como elas os afetam? Reafirmam as palavras positivas ditas e pede perdão pelas negativas? Quanto tempo ficam com seus filhos para além de deixá-los na escola? A “tirania do urgente” tem feito cancelar compromissos com seus filhos? Combinam com os filhos compromissos semanais? A que está relacionado a ato de presentear seus filhos? Suas atitudes de cuidados estão adequadas à idade do seu filho?

Sabemos que educar é uma tarefa difícil, pois requer tempo e paciência. Edudar filhos oferecendo doses adequadas de afeto e limites rumo a uma DISCIPLINA saudável e positiva pede que os pais tenham alguns conhecimentos e habilidades. Mas após conhecer e praticar a linguagem de amor do filho ficará mais fácil descobrir, quando for preciso, do que o filho de fato precisa quando ele se comporta “mal”, assim como saber o que é preciso fazer para melhorar o comportamento de um filho.

Dar uma disciplina eficaz requer com o passar dos anos na função de pai/mãe aprender a: fazer pedidos, dar ordens, ser gentil ao tratar e educar; aplicar castigo; mudar e ensinar comportamentos adequados a cada faixa etária.

A literatura especializada em relacionamento entre pais e filhos associa as práticas parentais ao desenvolvimento de habilidades sociais positivas ou de problemas de comportamento ao longo da vida. Nesse sentido devemos ficar atentos às práticas educativas positivas, com fins a proporcionar a comunicação positiva entre pais e filhos para que a monitoria e relação sejam efetivas, e com isso tenhamos dentro dessa relação pai – filho um forte instrumento de prevenção contra problemas de comportamento.

Pais precisam cada fez mais perceber a importância de desenvolver suas próprias habilidades sociais e emocionais, afinal comportamentos mais habilidosos trazem benefícios para o indivíduo e para as demais pessoas que convivem com ele. Destacamos aqui algumas habilidades educativas parentais indispensáveis e importantes que os pais precisam desenvolver: comunicação assertiva e atenciosa; fazer perguntas e ouvir com atenção em ocasiões oportunas; expressar sentimentos positivos exaltando o positivo; expressar sentimentos negativos de forma assertiva e conveniente; expressar opiniões em situações adequadas; respeitar as opiniões e as discordâncias; fazer/dar carinho; conseguir estabelecer limites coerentes a situações e à idade; não usar ameaças e chantagens; dialogar de forma assertiva e agir de forma consistente.

É natural que pais com dificuldades para dar limites podem criar, na criança, uma incapacidade para lidar com as frustrações (dificuldade para aceitar “não”, chorar quando não tem o que quer etc.). No entanto, pais muito punitivos ou não disponíveis podem criar, na criança, comportamentos inseguros, sentimentos de ansiedade e de culpa, hábito de mentir, reações desproporcionais às situações, “timidez patológica” ou comportamentos agressivos. Já os pais muito ansiosos que antecipam inadequadamente as necessidades da criança, que criam estados de tensão desorganizadores, comprometem o desenvolvimento da regulação da ansiedade e de uma autonomia positiva.

É de fato bela e importante, mas difícil, a arte de educar filhos para a vida. E, sim, apesar de amar muito, dar o limite preciso também faz parte do “educar para a vida”.

Finalizamos com mais notícias importantes, a Sonja Lyubomirsky, da University of California Riverside e autora do livro “a ciência da felicidade”, após um longo tempo de estudos, chegou ao resultado de que o que determina a felicidade e o bem estar se divide assim: 50% para as características herdadas geneticamente; 10% para as circunstâncias que acontecem na vida de uma pessoa; mas, o principal, 40% são para as atividades intencionais, ou seja, tudo que nos mesmos fazemos ou que fazem para/por nos ou ainda que permitam que façamos.

Com isso deixamos as seguintes reflexões: o que os pais estão fazendo pelos seus filhos e/ou permitindo seus filhos fazerem no seu dia a dia? O que os pais fazem no dia a dia como formato de modelo para seus filhos e/ou o que ensinam os seus filhos fazerem no dia a dia? Como os pais podem potencializar os seus filhos a terem atividades intencionais positivas todos os dias?

Afinal, 40% de cada um pode ser mudado/melhorado a qualquer momento da vida e também pode influenciar positivamente no que somos ou desejamos ser como pais/pessoas.

Texto escrito pela Psicóloga Benéria Donato

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